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Mensagem de Boas-Vindas

Um escritor francês do séc. XVIII, Buffon, no discurso que proferiu ao ser recebido entre os seus pares da academia francesa, disse uma frase lapidar que se vem repetindo ao longo dos tempos:


Le style c’est l’homme


E expressou uma verdade perpétua e, por isso, actual.


Todos me conhecem e sabem que sou um homem do foro, alguém que vive no mundo do direito, senhor de um pensamento imbuído de normas pautadas pela razão e provadas pelo costume.


Assim, ninguém se admirará de que haja respeito pelos ditames legais que a todos garantem a equidade. Nesta base assentou a razão por que, na escolha do elenco directivo, se procurou caldear “o saber de experiência feito” com o á-vontade no domínio jurídico. De todos os elementos agora empossados se espera (e disso estou seguro) uma colaboração leal na certeza de que lhe corresponderá perfeita reciprocidade.


Postos estes prolegómenos, esperam vossas excelências que aponte a traços largos as linhas de rumo da acção directiva que hoje se inicia.


Peço que não vejam no que disser qualquer laivo de menor apreço pelo que se veio fazendo ao longo do tempo, mas se entenda como o anseio de superação, ínsito a todo o ser humano, pois, como diz Sebastião da Gama “pelo sonho é que vamos”.


Quero aproveitar este ensejo da tomada de posse dos corpos gerentes da nossa associação para trazer à memória a necessidade de revitalizar a vertente associativa. Não se pense que a associação portuense deseja sobrepor-se a todas as outras. Pretendemos apenas manter relações institucionais com os nossos pares, salvaguardando os interesses de cada um de nós. Anseia-se somente por que o movimento associativo desempenhe cabalmente a sua missão e contribua, tanto quanto estiver ao seu alcance, para uma nova dinâmica de acção e de triunfo.


O nosso povo ensina que “a união traz a força” e os estudiosos da psicologia afirmam, na teoria gestaltista, que o “o todo é mais do que a simples soma das suas partes”. De facto, se nos dermos as mãos e nos entregarmos afoitamente às tarefas comuns, conseguiremos êxitos insuspeitados e contribuiremos para uma melhoria notória do nosso mundo.


Congraçados no seio da F.P.F. ganharemos força, construiremos mais e melhor o nosso futuro, teremos uma expressão respeitada e as nossas palavras ecoarão na sociedade contemporânea.


Exijam-se ideias claras, proponham-se objectivos concretos e multiplicar-se-ão as iniciativas, aumentará a energia e o resultado só poderá ser um futuro melhor.

Mas a nossa preocupação maior consubstanciar-se-á no cuidado com a juventude.


Num tempo em que campeiam vícios e surgem solicitações de todo o género (tabaco, álcool, droga...), em que se retirou o freio à libertinagem sexual com sacrifício da verdadeira liberdade, em que cresce o alheamento e abandono das tarefas escolares, em que as novas tecnologias despejam em catadupa conhecimentos que deviam obedecer a uma pedagogia gradual, impõe-se fazer um esforço sério para sustar essa avalanche de descomedimentos, minorar os riscos e encaminhar as novas gerações na senda do dever e da plenitude humana.


A sabedoria da nossa gente avisa que “mais vale prevenir que remediar” e é por essa via que temos de enveredar para impedir comportamentos desviantes graças à prática do desporto, que constitua uma ocupação dos tempos livres, garanta uma mente sã num corpo são, como preconizava o poeta juvenal, e impeça a exclusão social ou a marginalização degradante, como vem clamando o senhor Presidente da República.


Todavia este projecto não poderá ser levado à prática somente pela associação, pois implica a colaboração de outras entidades, sobretudo as autarquias, que têm sob a sua alçada as infra-estruturas e que poderão ter um papel fundamental na sobrevivência dos próprios organismos desportivos – os clubes (licenças, instalações, vistoria, etc.).


Quanto fica dito não impede que dispensemos especiais cuidados à formação e valorização dos responsáveis pelos diversos pelouros desportivos:


          - procurando iniciar paulatinamente no dirigismo todos quantos evidenciam qualidades de chefia, dotes de inteligência e vigor psíquico que se afirmem espontaneamente sem arrogâncias descabidas nem tibiezas entorpecedoras;


           - incrementando a formação e aperfeiçoamento dos treinadores, para que sejam capazes de desempenhar a dupla função de ensinar os segredos do desporto e, ao mesmo tempo, incutir nos que lhes estão confiados o sentido do dever, do sacrifício, da humildade na hora do triunfo, bem como o da fortaleza no momento do infortúnio;


           - atraindo os elementos idóneos para juízes das pugnas desportivas, olhando à sua envergadura moral, ajuizando da dose indispensável de bom-senso, avaliando a sua tendência para uma conduta de exigente prudência, de segurança e de gosto pelo estudo das leis que regem o desporto a que se destinam;


          -  solicitando a colaboração de todos aqueles sem cuja presença dificilmente se efectuariam as manifestações desportivas, pessoas aparentemente anódinas, mas indispensáveis para a existência das competições.


Isto é o que queremos. Permita deus que o consigamos.


Tenho dito.