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Um Desafio Aliciante

 

Há mais de 30 anos que tenho o prazer de integrar os órgãos sociais da Associação de Futebol do Porto (AFP). No já longínquo ano de 1987, fui eleito vogal do Conselho Jurisdicional, sendo reconduzido nas duas eleições seguintes, mantendo-me em tais funções até ao ano de 1999. Seguiu-se a vice-presidência do Conselho Fiscal nos quadriénios 1999-2003, 2003-2007 e 2007-2011, tendo vindo a assumir, pelos piores motivos, a presidência deste órgão após o falecimento do saudoso Dr. Pôncio Monteiro em finais de 2010. Nas eleições de 2011, os associados confiaram em mim para presidir ao Conselho Fiscal até 2015 e depois veio o honroso convite do Dr. Lourenço Pinto para integrar a Direção da AFP como vice-presidente, sendo empossado no cargo em 23 de maio de 2015 e cumprindo a minha missão até ao final do nosso mandato.

 

E eis que chegou o dia. O dia em que fui desafiado a avançar para a Presidência da Associação. Consciencializei-me do legado que tinha de honrar e relembrei os anos da Presidência do Dr. Adriano Pinto e o meu antecessor, Dr. Lourenço Pinto, preciosos exemplos a seguir cujos ensinamentos e exemplo não olvidarei.

 

A propósito do Dr. Lourenço Pinto, com quem trabalhei na Direção nestes últimos cinco anos recordo a mensagem do ilustre Prof. Manuel Sérgio, nosso Sócio de Mérito, que retrata o Homem que presidiu aos destinos da AFP nestes treze anos: “as suas credenciais estão no sucesso alcançado pela sua vasta e valiosa obra, como jurista e como dirigente desportivo, e consequente prestígio da sua pessoa. E com uma característica incomum, no ‘reino do futebol’: a sua constante pedagogia para que o futebol, como desporto que é, se observe sempre como ‘movimento intencional e em equipa da transcendência’ – transcendência física e intelectual e sentimental e moral!” (A Bola, 30.1.2018).

 

Das mãos deste vulto do associativismo desportivo recebo uma nova sede, um moderno edifício equipado e preparado para acolher ações de formações, palestras, reuniões e outras iniciativas de caráter sociocultural; uma equipa de funcionários com anos de dedicação, coesa e determinada; mais de três centenas de clubes filiados; mais de 35.000 atletas, sendo que a sua maioria pertence ao futebol e futsal juvenil; mais de 25.000 jogos organizados por época; cerca de 850 árbitros formados na nossa casa; a organização de mais de 70 provas de futebol e futsal; um Museu e uma Biblioteca, com um acervo documental que retrata a nossa centenária história.

 

É um valioso legado que temos de honrar, missão exigente, mas, por isso, desafiante pois a minha equipa e eu próprio procuraremos dar continuidade ao magnífico trabalho que foi desenvolvido nos últimos anos, de forma a mantermos a notoriedade atingida pela Associação a nível nacional, por ser hoje a maior associação de futebol do País, e a nível internacional, pelos sucessos alcançados pelos nossos clubes filiados e pelas nossas seleções de jovens em provas internacionais.

 

Seria insensatez não seguir o trilho de sucesso que foi traçado nos últimos anos. E procurar ir mais além, procurando que modernidade e evolução sejam uma realidade bem vincada no seio da nossa Instituição, sempre com o objetivo único de manter a Associação direcionada para o desenvolvimento do futebol distrital, sobretudo, a formação da juventude nas vertentes desportiva, social e profissional.

 

No imediato, uma das nossas grandes preocupações, resulta da adaptação a novas e eventuais realidades advindas da situação excecional provocada pela pandemia COVID-19. Esta originou, nos passados meses de março e abril, a penosa decisão de suspensão de todas as nossas competições. Sabemos que esta catástrofe atinge toda a sociedade mundial e o nosso modo de vida. Temos esperança no que o futuro nos augura e não descuraremos a salvaguarda dos legítimos interesses dos clubes, dos seus dirigentes e dos seus atletas, mas sempre com o ser humano a constituir-se como o elemento a proteger em primeiro lugar, atuando preferencialmente de forma preventiva.

 

Daremos, naturalmente, prioridade à formação dos mais jovens, fazendo um esforço sério para encaminhar as novas gerações na senda do dever e da plenitude humana. É pela via da prática do desporto que temos de enveredar para impedir comportamentos desviantes, garantir ocupação dos tempos livres e evitar a exclusão social.

 

Valorizaremos os agentes desportivos, a quem dedicaremos especiais cuidados no que respeita à sua formação e valorização. Procuraremos iniciar paulatinamente no dirigismo todos quantos evidenciem qualidades de chefia, dotes de inteligência e vigor psíquico que se afirmem espontaneamente; apoiaremos a formação e o aperfeiçoamento dos treinadores, para que sejam capazes de desempenhar a dupla função de ensinar os segredos do desporto e, ao mesmo tempo, incutir nos que lhes estão confiados o sentido do dever, do sacrifício, da humildade na hora do triunfo, bem como o da fortaleza no momento do infortúnio; continuaremos a procurar atrair os elementos idóneos para juízes das lutas desportivas, olhando à sua envergadura moral, ajuizando da dose indispensável de bom-senso, avaliando a sua tendência para uma conduta de exigente prudência, de segurança e de gosto pelo estudo das leis que regem o desporto a que se destinam; e solicitaremos, por último, a colaboração de todos aqueles sem cuja presença dificilmente se efetuariam as manifestações desportivas, pessoas aparentemente anódinas, mas indispensáveis para a existência das competições.

 

Da nossa parte, junto com os clubes filiados, marcaremos a nossa atuação pela:

 

·     Simplicidade: respondendo celeremente e com eficácia às solicitações que nos forem endereçadas, procurando, sempre que possível, agilizar processos com base na modernização;

 

·     Proximidade: estando comprometidos com os nossos clubes, apoiando o seu desenvolvimento de forma a alcançarem os seus objetivos;

 

·     Dedicação: fazendo com que os clubes façam da AFP a sua casa desportiva, positivando o prisma dos dirigentes e atletas, procurando valorizar a marca AFP;

 

·     Justiça: cumprindo com as nossas promessas e os nossos projetos, responsabilizando-nos pelos compromissos assumidos.

 

 

 

Enquanto Presidente recém-eleito da Associação de Futebol do Porto, e em nome de todos os que foram eleitos para os órgãos sociais da Instituição no passado dia 28 de maio, agradecemos a participação dos associados neste ato eleitoral e toda a confiança depositada em nós.

 

Era desejo nosso que o ato de posse fosse um momento de convívio e alegria entre todos. Seria, para nós, um enorme prazer e honra vivermos juntos este momento significativo na vida da nossa AFP e estarmos próximos dos nossos estimados filiados, companheiros desta caminhada e razão de ser da nossa posse. Todavia, o atual quadro restritivo de medidas adotadas face à pandemia COVID-19 impede-nos desse intenso momento.

 

Mas não deixo de vos sentir próximos, cientes e  motivados da Vossa primordial importância para a  construção da AFP ainda mais forte e inclusiva!

 

A grandeza da Associação, a maior nacional, expressa a grandeza que nos une e garante que estamos em uníssono nesta nova caminhada para que dignifiquemos a Associação de Futebol do Porto.

 

Convosco, este é o nosso compromisso com o Futuro!

 

Muito obrigado!

 

 

 

 

 

Porto, 28 de maio de 2020

 

José Manuel Neves

 

2020-05-29